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Homem, o Céu e suas crenças – O Disco de Nebra como
fonte de informações astronômicas e mitológicas
para o Arqueoastrônomo.
Por: Leonardo Perin– Projekt Mittealter – UFRJ
Orientador: Prof. Dr. Álvaro Alfredo Bragança Jr. - Faculdade
de Letras/PPGHC – UFRJ.
Resumo
Há 3600 anos, em terras que posteriormente seriam
germânicas, um povo lá assentado confeccionou, entre uma
série de artefatos, um disco estelar (SCHLOSSER, 2003). Após
as peripécias de sua descoberta em 1999, iniciaram-se as tentativas
de interpretação do achado. O disco hipoteticamente traria
em suas representações marcações astronômicas
de uso prático daquele povo: passagem dos solstícios, equinócios,
horizonte, constelações visíveis no céu e
uma figura mitológica: A Barca Solar. Tal figura, todavia, é
recorrente na Idade do Bronze, aparecendo desde entre os egípcios,
na Barca Solar de Khufu (JENKINS, 1980), até os escandinavos, na
Carruagem Solar de Trudholm (LINDOW, 2002). Esta pesquisa, em fase inicial,
visará analisar a partir de uma perspectiva da História
Comparada (THEML & BUSTAMANTE, 2004) a relação entre
Mitologia e Astronomia expressos no Disco de Nebra, trabalhando tanto
com conceitos da Arqueoastronomia Verde quanto com a da Arqueoastronomia
Marrom (WHITLOCK, 1995).
Introdução
A Arqueoastronomia e suas abordagens distintas
Com o passar dos séculos, as necessidades do Ser, em relação
às análises do mundo que o cerca, modificam-se. As visões
históricas e arqueológicas passam a abranger perspectivas
e possibilidades que antes não eram levadas em conta. E de onde
nascem tais necessidades? A preocupação em se trazer para
o mundo acadêmico um estudo mais fiel possível da realidade
cognoscível e o esforço em se apresentar os conceitos, fatos
e pensamento do passado são o ponto de partida para o desenvolvimento
dessas necessidades. Partindo desses conceitos queremos trazer a questão
do surgimento da Arqueoastronomia. Num primeiro momento, é de se
estranhar o fato de que duas ciências aparentemente distintas e
desconexas, a Arqueologia e a Astronomia, possam se fundir e compartilhar
métodos, buscas e descobertas. A Arqueologia preocupa-se com a
análise do homem em relação aos vestígios
enterrados, escondidos embaixo do solo, enquanto a Astronomia olha na
direção oposta, para o céu, para o além do
horizonte, atrás de evidências do funcionamento do universo
e de como esse mecanismo celeste nos pode ser útil.
Todavia, assim como hoje vivemos sobre o solo e deixamos nele nossos vestígios,
também utilizamos o céu como ferramenta guiadora da nossa
vida, regulando as plantações, as marés e servindo
de mapa para os navegantes. Com os povos que nos antecederam no tempo
não ocorreu de forma diferente. Assim como eles ocuparam e exploraram
a terra em que se assentaram, também mantiveram estreitas relações
com os sinais celestes e também por eles pautavam sua sociedade.
Após tomar consciência de que o homem antigo estava chumbado
ao solo, mas com os olhos nos céus, nasceu daí a necessidade
de se estudar, através dos vestígios deixados por esses
povos, a importância que o céu exercia em suas atividades
e crenças.
Após a Conferência sobre Arqueoastronomia da União
Astronômica Internacional em Oxford em 1981, definiu-se com mais
precisão o objeto do estudo do arqueoastrônomo, ao mesmo
tempo em que se deu a cisão do pensamento arqueoastronômico
em duas escolas: a Arqueoastronomia Verde e a Arqueoastronomia Marrom.
As cores derivam da cor da capa em que os métodos foram publicados.
A primeira trata da metodologia arqueoastronômica na Europa e a
última no Novo Mundo. Tal cisão deu-se devido as diferentes
fontes de estudos arqueológicos à disposição
em cada um dos continentes.
Na Europa, o foco estava direcionado ao estudo dos alinhamentos dos sítios
arqueológicos datados da pré-história, ou seja, mais
direcionado aos aspectos astronômicos que arqueológicos.
O objetivo desses cientistas era saber a precisão e veracidade
desses alinhamentos no plano astronômico-tecnológico e, dessa
forma, ficou pautado o pensamento arqueoastronômico europeu, visando
descobrir os usos sociais e técnicos dos vestígios encontrados
nos assentamentos. Já nas Américas, principalmente na América
Latina, motivada pela grande quantidade de registros etnográficos,
a Arqueoastronomia direcionou-se ao estudo dos elementos culturais, mitológicos
e étnicos presentes nos artefatos e construções encontradas
nos sítios arqueológicos, voltando-se assim ao estudo da
relação dos elementos celestes e sua associação
com padrões culturais, religiosos e mitológicos. Em 1990,
pretendeu-se a criação da Arqueoastronomia Azul, que tangenciaria
especificamente aos assuntos ligados à Etnoastronomia, ou a relação
entre o céu e os povos no presente.
O Disco Solar de Nebra
Sua descoberta
Em 23 de fevereiro de 2002, a polícia da Suíça, em
uma misteriosa ação no Hotel Hilton de Basel, apreendeu
uma descoberta do início da Idade do Bronze, aproximadamente 1600
a.e.c, que havia sido subtraída numa escavação arqueológica
clandestina em Sachsen-Anhalt. Nela, localizou-se o agora tão famoso
“Disco Solar de Nebra”.
Após
uma investigação detalhada pelo Departamento Criminal de
Magdeburg o achado foi entregue ao escritório do Departamento Estatal
de Arqueologia de Halle, dirigido pelo Dr. Harald Meller. Os arqueólogos
locais, então, confiaram minúncias da investigação
a dois cientistas externos: o prof. Pernicka da Bergakademie Freiberg
ficou encarregado da pesquisa em Arqueometalurgia e o prof. Dr. Schlosser
com as análises astronômicas. Simultaneamente, uma exibição
aberta foi preparada após a alta pressão geral exercida
pelo interesse avultado no Disco Estelar. Com um mês após
a devolução do Disco ao Museu de Pré-História
de Halle, uma exposição de três semanas pôde
ser aberta e foi visitada por mais de 15.000 pessoas.
Independentemente da posterior despenalização do roubo pelas
autoridades legais, pois foi somente em Basel que seu último receptador
foi preso, tanto sob a ótica jurídica quanto sob a ótica
arqueológica, o conhecimento da exata localização
da descoberta era, no entanto, também importante e somente os escavadores
poderiam saber essa localização. Em julho de 2002, os raptores
puseram-se à disposição das autoridades legais, motivados
pela grande pressão exercida pela busca que fora realizada. Desta
forma, o local original da descoberta tornou-se conhecido – o cume
do monte Mittelberg nas cercanias de Nebra junto ao rio Unstrut. Tal revelação
foi para os cientistas uma informação extremamente relevante,
pois a hipótese daquele ter sido o local da descoberta já
se afigurava como plausível, tanto sob uma perspectiva edológica
quanto sob uma perspectiva astronômica.
Aproximadamente um mês depois – e sem ter passado nem metade
do ano após a apreensão do Disco – iniciaram-se as
primeiras escavações arqueológicas no local da descoberta.

O Disco Solar é sem sombra de dúvidas a mais importante
peça dos achados recuperados em Basel. Contudo, também os
outros objetos são arqueologicamente significativos. As duas espadas
ornadas em ouro já se protraem entre todos os achados pré-históricos.
Com base em suas características tipológicas, elas permitem
a datação de todos os outros achados do conjunto (o Disco
Solar inclusive) como sendo pertencentes ao estágio A3 da Idade
do Bronze, conseqüentemente, como sendo de cerca de 1600 a.e.c. Além
disso, é interessante notar que o estilo das espadas indica a região
hungárico-romênica, o que ainda não se permite que
se diga que os discos foram de lá importados. No mínimo,
havia na Baixa Idade do Bronze um contato cultural daquela região
com o Sudoeste da Europa. Dois machados de flanco, um cinzel e um fraturado
bracelete espiralado completam por seu turno, o conjunto dos achados.
O Disco estelar possui cerca de 32 cm de diâmetro, 2 kg de massa
e uma espessura variável de alguns milímetros. Sua composição
consiste de um tipo de bronze azinhavrado. Sua profunda coloração
verde (malaquita) seguramente não é a cor original, porém
resultado dos quase quatro mil anos em que passou enterrado. Mesmo antes
da confissão dos escavadores, a malaquita era um considerável
indício da autenticidade do Disco e que este não se tratava
de uma falsificação.
A
malaquita do Disco é altamente cristalina, e tal concentração
demanda tempo para se formar. O trabalho de falsificadores produz apenas
pequenos cristais. Outros indícios da autenticidade do Disco foram
a ausência de isótopos radioativos de chumbo-210, que estão
sempre presentes no bronze moderno e o módico preço de 30.000
marcos alemães que foi pedido pelos receptadores. Para esta relativamente
módica soma é difícil que alguém se esforce
em fazer uma falsificação de aparência convincente
de bronze e ouro e que ainda forneça conjuntamente duas esplendorosas
espadas.
Metodologia da Arqueoastronomia Verde: Os Elementos Astronômicos
do Disco:
Para o estudioso da história da Astronomia, esse achado é,
entretanto, singular, pois traz indiscutivelmente as representações
do Sol, da Lua e das estrelas como vistas em um tempo muito antigo. Embora
o Disco Estelar nesse meio tempo tenha se tornado mundialmente famoso
e que semanalmente surjam novas hipóteses, não se pode dissertar
muito sobre ele além das propostas astronômicas apresentadas
oficialmente. Mesmo para renomados símbolos arqueoastronômicos,
com Stonehenge, há uma série de interpretações
não-astronômicas que merecem ser ainda refletidas.

Naturalmente há outras antigas representações das
estrelas celestes, por exemplo, nos antigos reinos do Egito, mas, elas
mostram representações esquemáticas das estrelas
puramente como caracteres ornamentais. O Disco Estelar de Nebra, todavia,
retrata – mesmo que também de forma idealizada – uma
situação astronômica real.
Quando o autor se ocupou do disco, não aplicou muito seu interesse
principal no inventário de formas astronômicas, embora, “Sol,
Lua, Plêiades e estrelas” possam ser claramente distinguidas
como em um desenho infantil. No entanto, pode-se rapidamente reconhecer
que não foi esse o objetivo do autor do disco.
Prova de que o disco indiscutivelmente mostra um motivo astronômico
são as pequenas chapas de ouro representando estrelas. Das originais
hoje apenas 29 estão ainda presentes – motivo para hipóteses
incorretas de que se trataria de um calendário lunar. Uma estrela
caiu por causa da inabilidade dos escavadores ao manusear o disco, mas
a chapa de ouro foi posteriormente recolocada em sua posição
de origem. Duas chapas de ouro originalmente presentes foram removidas
ainda na Antigüidade, antes de um dos arcos da borda ter sido inserido,
conforme mostrado pelos exames de Raio-X. Os outros dois arcos sobrepõem
na verdade duas pequenas estrelas e teriam um objetivo. Provavelmente
por motivos técnicos, a estrela teria sido mudada um pouco mais
para o meio do disco. Reconhece-se, por isso, que o Disco Estelar de Nebra
não foi puramente planejado em um conceito fundamentalmente único,
pois ela possui sua própria história.
Ao todo 32 estrelas adornam o Disco. Sete delas formam um grupo particular,
25 delas distribuem-se sobre o resto da superfície. Naturalmente
vê-se primeiramente uma carta celeste e é possível
provar-se que talvez sejam realmente representações de estrelas.
Isso não acontece, e há uma razão simples. A identificação
de nossas constelações depende de fatores como a localização
do observador, o momento em que o Cosmo é observado e como as estrelas
estão dispostas no céu, de acordo com a direção
do observador. Tal disposição os matemáticos conhecem
bem. As estrelas reúnem-se em aglomerados, que nós chamamos
amigavelmente de “constelações”.
Em meio deste caos figura o grupo de sete estrelas. Dificilmente resta
alguma dúvida de que esta é uma representação
das Plêiades. Partindo da certeza de que esta é a representação
das Plêiades, torna-se fácil identificar outros possíveis
elementos celestes: O discreto aglomerado estelar aberto de Præsepe
(M441)1 na constelação de câncer e a
pequena constelação de Delphinus
(NGC 7006)2.

É possível também, a partir da identificação
das Plêiades (que compõem a constelação de
Taurus), se reconhecer outras constelações presentes: No
centro do Disco, entre as duas formas que entendemos como o Sol e a Lua,
vê-se a constelação de Cassiopéia; à
esquerda do Disco vê-se parte da Ursa Maior, formado pelo asterismo
da “Grande Carruagem”, forma pela qual ficou famosa a constelação
na Idade Média, utiliza-se hoje em dia nas observações
astronômicas guiar-se pelo braço da carruagem para encontrar
a estrela Arcturus, que também pode ser vista no Disco; na extrema
direita do Disco vê-se parte da constelação de Andrômeda;
dentro da “Barca Solar” encontra-se também parte da
constelação de Órion, representado pelo cinturão
das três estrelas mais visíveis dessa constelação:
Alnitak, Alnilam e Mintaka. Curiosamente, a Astronomia Moderna tende a
usar o cinturão de Órion para localizar outras estrelas
que também aparecem no Disco. Sirius pode ser encontrado a Este
de Alnitak e Procyon alinhado com a estrela Betegeuse, que se situa também
na constelação de Órion. Por fim, ainda podemos observar
a presença de duas das três estrelas do Triângulo Estivo:
Deneb (constelação de Cygnus) e Vega (Constelação
de Lira). Tais estrelas formam junto com a Altair, da constelação
de Aquila, o Triângulo de Verão que aparece ao Zênith
no Hemisfério Boreal durante os meses de Verão.

Projeção por Software do céu de Nebra mostrando
o alinhamento com o plano equatorial celeste em 1600 a.e.c

Projeção por Software do céu de Nebra mostrando os
asterismos das constelações em suas posições
em 1600 a.e.c
Todavia, as Plêiades permanecem favoritas e nenhum outro grupo de
estrelas tem sido mais mencionado do que elas. Seja com os antigos sumérios,
com os gregos ou romanos, ou nas construções modernas dos
lituanos, as Plêiades ocupam o primeiro lugar no ranking dos calendários
estelares. Tal preferência se dá, pois elas, nos primeiros
estágios da Idade do Bronze, figuravam no céu durante o
Equinócio de Primavera.

Projeção por Software do Eixo da Eclíptica no céu
de Nebra em 1600 a.e.c.
De uma incomensurável segurança é a identificação
de ambos os arcos laterais como indicadores da linha do horizonte. Seu
ponto terminal gera um ângulo de cerca de 82°. Isto corresponde
ao percurso do Sol ao longo do ano nos horizontes orientais e ocidentais
para a área geográfica situada na latitude que passa por
Sachsen-Anhalt. Fossem puramente ornamentais, os arcos laterais teriam
sido gerados com um ângulo de 90°. Existem outras representações
encontradas na América Latina e na Inglaterra que exibem também
o percurso do Sol naquelas respectivas latitudes.
Analisando o alinhamento das constelações e dos arcos laterais,
podemos depreender igualmente a marcação da passagem dos
Solstícios e dos Equinócios. Partindo do ponto inferior
do arco do horizonte ocidental e traçando uma linha reta até
o ponto superior do arco do horizonte oriental, temos a passagem do Sol
no Solstício de Inverno e partindo-se em linha reta do ponto inferior
do arco oriental até o ponto superior do arco ocidental, encontramos
a passagem do Sol no Solstício de Verão. Na reta central
do Disco teríamos a passagem do Sol nos Equinócios de Outono
e Primavera.
Com isso descrito, ainda sobra uma hipótese não resolvida
para o Astrônomo. A representação do Sol também
poderia denotar uma Lua cheia, e o crescente uma das fases de escuridão
entre o Sol e Lua. É exatamente entre os grandes objetos visíveis
no disco que paira a dúvida. O par representa indubitavelmente
um motivo astronômico, que certamente tem algo a ver com o Sol e
a Lua. Ambos trafegam ao longo da Eclíptica – o Sol com precisão
absoluta e a lua com um afastamento de 5º. Também ambos visitam
as Plêiades, como realmente ocorre.
Metodologia da Arqueoastronomia Marrom: elementos mitológicos
no Disco:
Iniciamos agora as considerações a respeito das possíveis
análises dos elementos mitológicos presentes no Disco Estelar
de Nebra. Deter-nos-emos, todavia, apenas na representação
da Barca Solar.
Ao longo de toda a História registrada podemos notar a presença
de um culto ao Sol e sua importância para os povos, chegando mesmo
a ocorrer registros de um culto ao desaparecimento deste. As razões
desta importância são óbvias: Agricultura, Calendário,
Navegação etc. dependem inteiramente da presença
e da passagem desse astro no Céu. Entretanto, uma forma muito específica
de representação de uma deidade solar vem sendo compartilhada
ao longo dos aevos desde o período Neolítico: o Sol navegando
pelo espaço, sobre uma Barca.
As primeiras evidências apontáveis são alguns petróglifos
do Neolítico. Logo após, encontramos alguns registros mais
substanciosos: representações de Barcas Solares entre os
povos de Cultura de Urnas de Campo. O culto à deusa Sunna na mitologia
nórdica; à deusa Surya entre os Vedas, diversas barcas solares
são encontradas ao longo da história das dinastias egípcias,
entre elas a Barca Solar de Khufu e representações de Barcas
levando Rá ou Hórus; o Culto a Hélios e a Phaëton
na Grécia e ao Sol Invictus em Roma.

Todavia, nos fixar-nos-emos nos detalhes ligados ao mito da Barca Solar
segundo a mitologia nórdica, de acordo como relatado na Edda Poética,
na Edda em Prosa de Snorri Sturluson e também de acordo com o registro
fornecido por um encantamento escrito em Althochdeutsch (Antigo Alto Alemão)
chamado de Encantamento de Merseburg, que tinha como objetivo curar cavalos.
De acordo com o mito, Sól, Sunna, Sonne ou Sowillo seria irmã
de Sinthgut e de Máni, filha de Mundlifari e que estes tinham como
obrigação navegar pelos céus dia e noite para contar
os anos para os homens.
Registro de acordo com o Encantamento de Merseburg:3
Phol ende uuodan
uuorun zi holza.
du uuart demo balderes uolon
sin uuoz birenkit.
thu biguol en sinthgunt,
sunna era suister;
thu biguol en friia,
uolla era suister;
thu biguol en uuodan,
so he uuola conda:
sose
benrenki,
sose bluotrenki,
sose lidirenki:
ben zi bena,
bluot zi bluoda,
lid zi geliden,
sose gelimida sin.
Phol4
e Wotan
cavalgaram para as florestas,
então o potro de Baldur
quebrou seu pé.
Então Sinthgut o encantou,
e assim fez Sunna sua irmã,
Então Freya o encantou.
e assim fez Fulla sua irmã,
Então Wotan o encantou,
conforme ele poderia.
Se
um osso perder,
se o sangue perder,
se um membro perder:
osso com osso,
sangue com sangue,
membro com membros,
que se unam.
Registro
de acordo com a Edda Poética (Stanza 23) :5
Mundilfari
heitir,
hann er mána faðir
ok svá Sólar it sama;
himin hverfae
þau skulu hverjan dag
öldum at ártali.
Mundilfari
ele se chama,
que de Máni é pai
e gerou Sunna também;
e girar os céus
todo dia eles devem
como contagem do tempo para os homens.
Registro
de acordo com a Edda em Prosa: 6
XI.
Frá Sól ok Mána
Þá
mælti Gangleri: "Hversu stýrir hann gang sólar
eða tungls?"
Hárr segir: "Sá maðr er nefndr Mundilfari, er átti
tvau börn. Þau váru svá fögr ok fríð,
at hann kallaði son sinn Mána, en dóttur sína
Sól ok gifti hana þeim manni, er Glenr hét. En goðin
reiddust þessu ofdrambi ok tóku þau systkin ok settu
upp á himin, létu Sól keyra þá hesta,
er drógu kerru sólarinnar, þeirar er goðin höfðu
skapat til at lýsa heimana af þeiri síu, er flaug
ór Múspellsheimi. Þeir hestar heita sv, Árvakr
ok Alsviðr, en undir bógum hestanna settu goðin tvá
vindbelgi at kæla þá, en í sumum fræðum
er þat kallat ísarnkol.
Máni stýrir göngu tungls ok ræðr nýjum
ok niðum. Hann tók tvau börn af jörðunni, er
svá heita, Bil ok Hjúki, er þau gengu frá brunni
þeim er, Byrgir heitir, ok báru á öxlum sér
sá, er heitir Sægr, en stöngin Simul. Viðfinnr er
nefndr faðir þeira. Þessi börn fylgja Mána,
svá sem sjá má af jörðu."
Então disse Gangleri: Como se dá o governo do Sol
e da Lua?
Hárr respondeu: Um certo homem chamado Mundilfari tinha dois filhos;
eles eram muito educados e graciosos, então ele chamou o filho
de Máni7 e a filha de Sól8
, e a casou com Glenr. Mas os deuses eram irascíveis e insolentes,
então ele tomou o irmão e a irmã e lançou-os
aos céus; Então Sól passou a ser puxada pelos cavalos
que estavam atados à sua carruagem que fora feita pelos deuses
para iluminação do mundo com a substância brilhosa
que emana de Muspellheim9 . Os cavalos eram
chamados de "O Despertar Matutino"10 e "Toda
a Força"11 ; e sob seus ombros os deuses colocaram
dois foles para refrescá-los, mas em alguns registros isso é
chamado de 'ferro-frio'. Máni segue o caminho lunar, e determina
seu crescimento e diminuição. Ele tomou da Terra duas crianças
chamadas Bil e Hjúki, e foram entregues ao famoso Byrgir, sustentando
sobre seus ombros o barril chamado Sægr, e o pólo Simul12
. O nome de seus pais é Vidfinnr. Essas crianças seguem
a Lua, como pode ser visto da Terra ainda hoje.
Os
registros nórdicos são os mais completos existentes da história
do Setentrião que narra o mito da Barca Solar. Paralelamente ao
disco ainda podemos apontar a representação encontrada na
Carruagem Solar de Trudholm, construída em algum momento do século
18 a.e.c.. O artefato mais uma vez representa a Deusa Solar sendo puxada
pelos cavalos supracitados, figura recorrente do norte da Europa.

Conclusão
Considerando que o Disco Estelar de Nebra reproduzia uma situação
astronômica real, é mister refletir o que viria a ser a marcação
da Barca? O que, astronomicamente, teria dado origem à essa interpretação?
Ao analisarmos as projeções astronômicas feitas em
softwares profissionais de representação celeste, encontramos,
alinhada com as constelações do disco, uma das curvas da
Via Láctea, abraçando o cinturão de Órion,
justamente como representado no Disco. Esta presença leva-nos a
justificar que aqueles que confeccionaram o disco poderiam ter visto a
Via Láctea alinhada ao eixo galáctico no céu e a
interpretado como sendo a barca de sua divindade.

Projeção por Software do céu de Nebra mostrando o
alinhamento com o plano galáctico em 1600 a.e.c
Por
fim, tal elemento nos traz o elo que nos permite associar a importância
dos elementos mitológicos para a compreensão dos elementos
astronômicos e de sua trajetória na esfera celeste. Desta
forma, temos também uma ligação entre as metodologias
atuais de se pensar a Arqueoastronomia. De um lado, a comprovação
astronômica e pari passu as interpretações culturais
e religiosas, equiparando em importância ambas as escolas no sentido
de se obter uma mais precisa compreensão da relação
que os povos antigos tinham com o céu.
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Notas:
1 Catálogo Messier Nº 44.
2. New General Catalogue N. 7006.
3 Tradução Nossa.
4 Possível nome de Baldur.
5 Tradução Nossa.
6 Tradução Nossa.
7 Lua.
8 Sol.
9 País do fogo, casa da desolação.
10 Arvak, Frühwach
11 Alsvid, Allgeschwind.
12 Possivelmente “eterno”.
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