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Pigmentos e cores na Idade Média.
Por Leonardo Perin
Introdução
Uma
vez, li uma tradução para o inglês de um manual de
instruções do século XIV relativo à Pintura.
E foi uma leitura muito interessante. Entretanto, em nenhum lugar o livro
explicava claramente coisas tão obscuras como os pigmentos e cores
cujo o livro tratava. O que, então, eu faria caso quisesse recriar
as cores daquele livro com as tintas que estão disponíveis
hoje?
Aqui
então o resultado do que consegui fazer. Este artigo trás
muitas tentativas de tentar reproduzir tais cores. a lista a seguir traz
primeiramente o nome das cores básicas em latim, e após
o nome das cores medievais com comentários de como as reproduzir
modernamente com os produtos comercializados atualmente. Como fonte utilizei
diversas fontes de época, tais como tratados em facsimile, assim
como também obras específicas sobre o assunto. E como material
usei Guaches da marca Talens, Aquarelas da marca Pentel e tintas variadas
da Winsor & Newton.
CORES
EM LATIM |
LATIM |
PORTUGUÊS |
| pratinus,
-a, - um. |
verde |
| purpureus,
-a, -um. |
púrpura |
| caeruleus,
-a, -um. |
azul |
| lividus,
-a, -um. |
azul
escuro |
| niger. |
preto |
| atrus,
-a, -um. |
escuro |
| fuscus,
-a, -um. |
escuro |
| ravus,
-a, -um. |
cinza |
| canus,
-a, -um. |
branco
acinzentado |
| albus,
-a, -um. |
branco |
| flavus,
-a, -um. |
amarelo |
| fulvus,
-a, -um. |
amarelo
ouro |
| croceus,
-a, -um. |
Açafrão |
| ruber. |
vermelho |
| roseus,
-a, -um. |
rosa
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Definindo
e Combinando Cores: |
Cor |
Nome
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Aurum
musicum (Ouro Mosaico) - Uma imitação medieval
do ouro, fórmula química: SnS2. Um moderno equivalente
seria o guache de ouro. |

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Azurita
- Azul. Pode ser substituído por Ultramarinho, Azul Cobalto
ou Azul Cerúlio. |
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Azul
Verditer (ou Bice) - Similar a azurita, mas com um pendor
para o esverdeado. Experimente o Azul Ftalocianina ou o Verde Ftalocianina
(O verditer pode pender ou mais para um verde ou mais para um azul
dependendo de quem o faz). |
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Pau-Brasil
- É um vermelho profundo, cor de cereja. Na idade média
o pau-brasil possuia uma vasta gama de cores, dependendo das adições
ou omissões de várias substâncias durante a
feitura da tinta. A gama variava de marrom até Rosa. O vermelho
Alizarina é uma cor muito próxima. |
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Cinábrio
- Um laranja-avermelhado escuro. Equivalente ao vermelho cádmio. |
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Cochonilha
ou Carmim - Semelhante ao vermelho Alizarina. |
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Terra
de Colônia ou Cullen Terra - um marrom conhecido
hoje em dia como Marrom Vandyke. |
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Sangue
de dragão - Um vermelho escurecido, feito com uma
resina produzida por uma palmeira. Recentemente descobriu-se isso
como uma tinta aquarela da linha "Maimeri"; esta aquarela
tem o mesmo tom do Vermelho Veneziano ou Vermelho Inglês.
Também pode ser encontrado em um pigmento seco. O pigmento
Sangue de Dragão é ligeiramente mais claro que o Vermelho
Veneziano, se não for encontrado, pode-se imitá-lo
adicionando branco ao Vermelho Veneziano caso você deseje
uma tinta opaca. Tome cuidado, pois neste periodo, esta cor era
freqüentemente lânguida e era usada para dar à
tinta de ouro uma coloração vermelha, para o gosto
medieval preferia-se que o ouro tivesse uma cor mais avermelhada.
Você se aproximará bastante do Sangue de Dragão
diluindo uma mistura de Vermelho Veneziano com Vermelho Alizarina
até obter uma consistência bem aquosa e pintando sobre
o seu ouro. Na verdade, o uso moderno do Sangue de Dragão
é quase o mesmo; A resina é dissolvida sendo aquecida
com goma laca e usada para dar uma tonalidade vermelha a metais. |
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Exdra
- Um marrom; mistura de Preto com Vermelho Ocre. |
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Cor
de carne - Em Teophilus, é indicado geralmente uma
mistura de Branco chumbo, cinábrio e massicot. O equivalente
moderno é a cor Carne. |
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Pedra
Bilial - Um amarelo profundo e transparente. Tente gommagutta
ou Nova Gommagutta. |
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Gommagutta
(Gamboge) - Um amarelo ainda disponível em aquarela;
entretanto, a Winsor & Newton fez uma cor chamada "New
Gamboge" que é similar em aparência e de grande
opacitade e leveza. |
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Indigo
- Um azul muito escuro, ainda disponível, inicialmente usado
como um substituto para o Pastel (Isatis tinctoria). |
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Branco
Chumbo (ou Cerusita) - como uma tinta a óleo é
ainda disponível pelo nome de Branco Flocos. Em iluminura
substitui-se por Branco Chinês misturado com Branco Titânio. |
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Malaquita
- um verde, não mais disponível. Pode ser substituído
por uma mistura de Verde Verona e Amarelo Cádmio. |
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Mínio
(ou Vermelho Chumbo) - Um vermelho alaranjado claro, não
mais disponível, misture Vermelho Veneziano com um pouco
de Amarelo Cádmio. |
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Massicot
(ou Litargírio) - um amarelo, não mais disponível.
Use Amarelo Nápoles, ou misture amarelo ocre com branco e
talvez um toque de vermelho claro. |
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Ocres
- uma variedade de pigmentos cor de terra, ainda disponível;
Amarelo Ocre e Vermelho Ocre (Também chamado na Idade Média
de Ocre Queimado) são cores muito recorrentes na paleta medieval. |
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Orpimento
- Um amarelo que está "obsoleto", mas você
ainda pode obter o pigmento seco. Este é uma das mais perigosos,
e o mais venenoso de todos os pigmentos. Então você
usar o Amarelo Hansa (Amarelo permanente), Amarelo Cádmio
ou Gummagutta dependendo do que você puder encontrar. |
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Ostrum
(Ou Púrpura Bizantina, Púrpura Grega, ou Púrpura
de Tiro) - Um roxo produzido com conchas de moluscos. Uma fórmula
sintética foi desenvolvida em 1904 e ainda está disponível
atualmente. |
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Realgar
(Ou Orpimento Vermelho ou Sandaraca) - outro vermelho alanrajado
obsoleto que pode ser mimetizado com o uso de Vermelhos Cádmios. |
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Rosa
- Para Teophilus, uma mistura medieval de Cor de Carne mais Cinábrio
e Mínio. Você pode tentar misturar isso com outros
exemplos sugeridos neste artigo, ou tentar misturar a Cor de Carne
moderna com Vermelho Cádmio. |
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Açafrão
- Um amarelo brilhante, muito caro para ser usado como cor independente,
mas ocasionalmente usado em letras iniciais, para dar uma cor tépida
a algumas tintas, e cobrir estanho para fazer uma imitação
de folha de ouro. Substitua por um amarelo adequado à sua
peça. |
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Verde
Oliva - ainda disponível como aquarela e guache. |
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Siena
- facilmente encontrada como pigmento cor de terra. Siena crua é
um marrom amarelado e Siena Queimada é um marrom avermelhado.
A cor Siena não teve uso até o final da Idade Média. |
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Sinópia
- Um vermelho um pouco obscuro, nenhuma fonte se declara muito certa
do que está cor realmente é, exceto ao especular que
se trata de um vermelho terroso.. Então: Vermelho Ocre, Vermelho
Inglês, Vermelho Índico. Será uma ótima
experiência para você, na verdade, cada um desses vermelhos
terrosos é uma cor muito distinta da outra. |
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Esmalte
- feito de uma base de cobalto em vidro. Hilliard não fala
muito a respeito dessa cor, como se ela fosse um Lapis Lazuli levemente
mais acinzentado. use azul ultramarinho com um toque de branco para
acinzentar a cor. |
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Fumaça
Negra - Use Preto Carbono ou Preto vegetal, se você
puder encontrá-lo. |
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Terre
Verte (ou Terra Verde) - um verde ainda disponível.
Pode ser imitado misturando Óxido de Cromo com Branco. Em
Cennini, Terre Verte, quando misturado com branco dá um Verde
Sálvia, que, se tiver que ser clareado, deve ser feito adicionando
amarelo. |
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Azul
Ultramarinho - Originalmente feito por Lapis Lazuli moído.
Hoje é produzido sintéticamente. |

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Umbra
(Sombras) - Facilmente disponível como pigmentos
terrosos. Umbra crua é um marrom amarelado, e Umbra Queimada
é um marrom escuro avermelhado. A Umbra não teve uso
até o final da Idade Média. |
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Venda
- um cinza. Mistura de Preto Carbono com Branco Chinês, ou
use um dos cinzas naturais disponívels na maioria das linhas
de guache. |
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Verdigris
- Um verde azulado claro, não mais disponível. Misture
Azul Cobalto com verde Verona. Sal Verde e Verde Espanhol são
tipos de Verdigris, e podem ser usados como imitação
a este. |
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Vermillon
- Um Vermelho claro e brilhante. Substitua por Vermelho Cádmio
Claro se você não encontrar o Vermillon. Entretanto,
lembre-se de que o Vermillon real escurece após exposição
ao Sol, e requer cuidados muito especiais. Não jogue a água
diluída dela pelo ralo. É muito tóxica! |
P.S. Para traduzir os nomes para o Português que não eram
conhecidos por mim, optei por verificá-los sempre em Italiano ou
Espanhol e daí lusitanizá-los livremente.
Bibliografia
Anônimo.
The Göttingen Model Book. Lehmann-Haupt, H. The Goettingen Model
Book. University of Missouri Press
Anônimo.
The Arte of Limming.
The
Craftsman's Handbook: "Il Libro dell' Arte" by Cennino d'Andrea
Cennini. Dover.
Folsom,
Rose. The Calligrapher's Dictionary. Útil dicionário de
termos e técnicas caligraficas
Nicholas
Hilliard's Art of Limming: A New Edition of A Treatise Concerning the
Arte of Limning. Northeastern U. Press.
Jarman,
Christopher. Illumination for Calligraphers.
Murrell,
Jim. The Way Howe To Lymne.
Taubes,
Frederic. The Painter's Dictionary of Materials and Methods.
THEOPHILUS
– On Divers Arts: The foremost Medieval Treatise on Painting, glassmaking
and
metalwork – ed HAWTHORNE, John G. and SMITH, Cyril S. New York:
Dover Publications, Inc.,1979
Thompson,
D.V. Medieval Painters and Their Methods of Work.
----------.
The Practice of Tempera Painting.
Thompson,
J. Medieval Inks. O Glossário de termos químicos obsoletos
deste livro pode ser encontrado aqui em breve.
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