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Hoje é Domingo, 05 de Setembro de 2010.
26 Elul, 5770.

FORMAÇÃO ORQUESTRAL
Por Leonardo Perin


Os músicos já haviam afinado os instrumentos, quando Haydn tomou seu posto à frente da orquestra. Todos os profissionais eram empregados do príncipe Esterházy, da Hungria e, entre eles, havia um movimento no sentido de obter férias, que não gozavam havia muito tempo.

Para a apresentação, Franz Joseph Haydn escolhera sua 45ª sinfonia, que, mais tarde, seria chamada sinfonia da despedida. À medida que os músicos iam encerrando seu trabalho. Apagavam as velas que iluminavam as estantes, levantavam-se e iam embora. No final a orquestra ficou reduzida a dois violinos, tocando na penumbra que se havia reduzido o palco.

O príncipe Esterházy compreendeu o humor de Haydn, que havia composto uma sinfonia em cuja execução era ocupado o menor número possível de músicos. O príncipe compreendeu e concedeu férias a todos.

Franz Joseph Haydn (1732/1809) passaria para a história da música. Não por causa da brincadeira que fez com o príncipe húngaro, mas por algo muito mais importante: foi responsável por uma revolução na música sinfônica. Foi ele quem primeiro utilizou todos os recursos que uma orquestra podia dar, desde as combinações de grupos de instrumentos, às posições dramáticas e aos solos acompanhado pela orquestra.
A partir de seu trabalho, os instrumentos deixaram de ser simples solistas e passaram a integrar um grande conjunto, onde a fusão dos elementos acústicos e dos timbres era o elemento principal de uma orquestração.

Em sua época, a orquestra já tinha composição fixa: côro de madeira composto de duas flautas, dois oboés, duas clarinetas e dois fagotes; pequeno número de instrumentos de sopro metal: trombeta, duas ou três trompas, trombone, percussão; e o quinteto de cordas, com dois grupos de violinos (primeiro e segundo), violas, violoncellos e contrabaixos. A quantidade de instrumentos de corda variava conforme o compositor. Com Mozart eles não ultrapassavam 57; com Beethovem iam além de 60.

UMA LONGA EVOLUÇÃO

Mas para chegar até a era de Haydn, a orquestra passou por várias etapas. Na Grécia, essa palavra indicava o local circular, próximo aos degraus do palco, onde o côro (Khoros) desempenhava um papel importante no drama, executando as danças (orkhestra) e cantando. Depois, o termo passou a indicar o número de vários instrumentistas.

Conjuntos de instrumentistas são conhecidos desde a Antigüidade. Já nas primeiras dinastias egípcias (2800/2700 A.C.) era costume juntar tocadores de Harpa, com seus dançarinos e cantores. Mas os egípcios, e depois os gregos e romanos, agrupavam apenas dois ou três músicos.

A divisão dos instrumentos em famílias: Corda, sopro e percussão ocorreu por volta do século XVI, quando apareceram os primeiros conjuntos Orquestrais.
Desde a interpretação da missa de Roland de Lassus, em 1589, tocada por nove instrumentos e cinco cantores, a orquestra foi se ampliando cada vez mais. No século XVII, Cláudio Monteverdi, pai da moderna ópera, utilizou-se de uma orquestra com 36 músicos. No século seguinte, o francês Jean P. Rameau aumentaria o número para 47. Até surgir Haydn.

Mas foi Hector Berlioz (1803/1869) quem distribuiu a orquestra tal como a conhecemos hoje. Multiplicou os instrumentos de corda, somando-os a grandes côros de instrumentos de sopro. Chegou a utilizar de 100 a 200 figuras numa orquestra.

E com Richard Wagner (1813/1883), o conjunto orquestral ganhou personalidade. A orquestra wagneriana dos Nibelungen (entre 100 e 140 figuras) tinha seu côro de cordas ricamente fortalecido, ao mesmo tempo que dedicava especial atenção aos instrumentos de metal, sobretudo às tubas, cuja fabricação foi encomendada pelo próprio Wagner. Depois de Wagner viria Richard Strauss, Ampliando a percussão, na busca de imitação de ruídos, como na sua Sinfonia dos Alpes e sinfonia Doméstica.

A ORQUESTRA SINFÔNICA, HOJE

Numa moderna orquestra sinfônica, o número de músicos varia em torno de cem, o que não impede que haja conjuntos maiores ou menores. Geralmente, ela se compõe dos seguintes instrumentos: 4 flautas, das quais uma ou duas podem alternar-se com flautins; 4 oboés, um dos quais, se preciso alterna-se com o corne- inglês; 4 clarinetas, alternando-se uma, se preciso, com um clarone ou saxofone; 4 fagotes, ou 3 fagotes e um contrafagote; 6 a 8 trompas ou cornes; 3 trombones; uma tuba; de 2 a 4 tímpanos e mais dois ou três músicos para os outros instrumentos de percussão (sinos, triângulos, campanas, pratos, gongos, tambores); 2 Harpas; 32 violinos (16 primeiros e 16 segundos); 12 violas; de 10 a 12 violoncellos; de 8 a 10 contrabassos.

A distribuição dos instrumentos a partir dessa estrutura básica pode variar com o método empregado pelo Regente, que dispõe os diversos grupos da orquestra a seu critério. Mas a disposição é quase sempre a mesma: os músicos ficam colocados numa espécie de semicírculo, que se eleva, a partir do centro, isto é, do tablado onde se posta o Regente.

Em sua estante, o Maestro tem a partitura, em que vem superpostas as várias partes instrumentais, ou seja, as melodias que cada instrumento executará individualmente. Durante a apresentação, ele procura animar a orquestra a uma execução viva e interessada, controlando volumes, matizes e especialmente o fraseado.
Mas a principal função do regente o publico não vê: é durante os ensaios, quando ele orienta os músicos a lerem separada e simultaneamente suas partes, determinando a dinâmica, os andamentos, os ataques, as terminações, o fraseado, o estilo e a execução, segundo o autor e a época em que a peça foi composta.

AS FUNÇÕES DE CADA UM

Os instrumentos musicais repartem-se na orquestra de acordo com a família a que pertencem: percussão, sopro e corda.

Nesta ultima. O som é produzido por cordas esticadas, que são vibradas por fricção (arco), dedilhadas ou percutidas. Os instrumentos de corda constituem a espinha dorsal da orquestra sinfônica.

Os contrabaixos, de som grave, podem ser colocados à esquerda ou à direita do Regente. Pelo tamanho do instrumento, os músicos são obrigados a ficar de pé e, por isso, ficam sempre num extremo do semicírculo.

Os violoncellos, cuja extensão sonora os faz eqüivalerem à voz de barítono, são intermediários entre o contrabaixo e as violas. Estas ficam de modo geral, no centro da orquestra. Pouco maiores que o violino, têm o som um pouco mais grave; são apoiadas no ombro esquerdo, como o violino.

Os violinos são encabeçados pelo primeiro violino, ou spalla. São os instrumentos mais numerosos e de som mais agudos entre os de corda. Geralmente, os “primeiros” ficam à esquerda do Regente e os “segundos” à direita. À direita também pode ficar as Harpas, instrumentos de cordas dedilhadas. O Piano, de corda percutida, geralmente é solista, atuando, portanto, na maioria das vezes, acompanhado pela orquestra e não como integrante do conjunto. Outros instrumentos de corda, podem aparecer na orquestra sinfônica, para efeitos especiais.

Os instrumentos de sopro dividem-se em dois grupos: madeira e metal. Entre as de madeira, geralmente se destacam as flautas (que em geral são de metal mas são classificadas, pelo som, como instrumentos de madeira.) flautins, oboés, cornes-inglêses, , clarinetas, fagotes e contrafagotes.

As flautas são responsáveis pelos sons agudos do grupo, sobrepujadas apenas pelos flautins, quando eles são empregados. Os demais distribuem-se numa escala cujo limite é o contrafagote, o mais grave de todos. Os instrumentos de sopro metal são a “artilharia pesada” de uma orquestra. Os trompetes (ou trombetas ou ainda pistões), localizados ao fundo, ou à direita ou à esquerda, são capazes de grande agilidade sonora, enquanto os trombones, que ficam atras dele ou ao seu lado, são mais lentos ou majestosos. A tuba é o mais grave do grupo e, em geral fica ao lado dos trombones. Já as trompas, instrumentos “híbridos” da família ( pois apesar de metálicas, seu som, assemelha-se ao de instrumento de madeira), ficam ao lado oposto ao dos pistões.

À grande variedade de instrumentos de percussão cabe uma séria de efeitos especiais. Em geral estão colocados ao fundo da orquestra, no lado direito.