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Hoje é Domingo, 05 de Setembro de 2010.
26 Elul, 5770.

Bach-Gesellschaft.
Por Leonardo Perin


Uma sociedade fundada no centenário da morte de Bach (1850) para publicar uma completa edição crítica de sua obra. Até aquele momento, todas as principais obras para teclado já tinham sido impressas, mas era óbvio que um esquema não comercial era necessário para as obras vocais.

A noção de uma Bach-Gesellschaft, data de antes da década de 1830, e pode ser relacionada com os esforços de Mendelssohn nos interesses em nome do compositor. Um posterior incentivo veio em 1843 quando a Sociedade Inglesa Handel foi fundada em Londres. Em julho de 1850 Otto Johan junto com Robert Schumann, C.F. Becker, Mortiz Hauptmann e da firma de Leipzig Breitkof & Härtel, publicou um anúncio preliminar que foi enviado para um número de possíveis apoiadores. No fim do mesmo mês a sociedade havia conquistado apoio em vários periódicos, de Liszt, Spohr e muitos outros. A reunião inaugural da sociedade teve lugar em Leipzig no dia 15 de Dezembro de 1850.

Como primeiro projeto musicológico deste escopo, a Edição Bach encontrou muitos problemas nos anos que se seguiram. A principal dificuldade era obter uma avaliação ampla do que sobreviveu da produção do compositor. Um catálogo de suas obras iniciado em 1830 por Franz Hauser era uma fonte básica de informação sobre as composições de Bach e a localização de seus manuscritos autografados e outros manuscritos relevantes. Volumes individuais ficaram atrasados porque os proprietários de várias fontes negaram aos editores o acesso à materiais importantes.

Por exemplo, a edição da Missa em Bm foi adiada muitas vezes porque Hermann Nägeli não permitiu que ninguém examinasse a obra autografada que estava sob sua posse. E só quando Friedrich Chrysander obteve esta fonte que o volume pode ser completado. Havia também diferenças de opinião entre os membros do comitê a respeito de como deveriam ser satisfeitas as necessidades musicais; foi debatido, por exemplo, se as partituras das obras vocais deveriam ser apresentadas com redução para piano. Quando a idéia foi rejeitada, Moscheles, que tinha encampado a causa dos intérpretes, abandonou o comitê. O primeiro volume da Edição Bach, contendo as cantatas de 1 à10, foi lançada em Dezembro de 1851; Ela foi editada por Hauptmann, que no ano seguinte dividiu a responsabilidade de uma quantidade de volumes com Julius Rietz e Wilhelm Rust. De 1859 Rust assumiu solitariamente a tarefa, a qual por fim renunciou em 1882 após desentendimentos com Phillipp Spitta. Os últimos volumes foram novamente supervisionados por muitos editores diferentes.

A Edição Bach completa iniciou uma significante mudança nas atitudes contemporâneas perante à música antiga, e abriu caminho para as edições similares das obras de Handel, Schütz, Palestrina e Lassus. Embora ela não se enquadrasse nos padrões contemporâneos da crítica, o profissionalismo dos editores foi notavelmente escrupuloso e científico para seu tempo. A edição inteira é livre de acréscimos editoriais. Rust prefaciou muitos volumes com introduções discutindo as fontes e a prática performática, e no volume XLIV os editores forneceram uma completa documentação dos manuscritos do compositor. Somente algumas poucas obras de Bach ficaram faltando, enquanto algumas composições, agora sabida de outros compositores, foram erroneamente incluídas.

Com o término do volume LXVI, apresentado ao comitê em 27 de Janeiro de 1900, a Sociedade Bach foi dissolvida, de acordo com seu estatuto. No mesmo dia a Neue Bachgesellschaft (NBG) foi fundada de formar a difundir e pesquisar as obras do compositor, e desde os primeiros anos do século organizou os festivais Bach. Em seus primeiros anos, especialmente, foi publicada uma grande quantidade de música, incluindo coleções de árias e arranjos visando a necessidade dos intérpretes. Seu periódico, o Bach-Jahrbuch, foi lançado quase todos os anos desde 1904. Em 1906 a sociedade adquiriu a casa em Eisenach onde o compositor, como se pensava, tinha nascido, e abriu um Museu Bach lá. Diferente de muitas outras organizações musicológicas alemãs, a NBG sobreviveu intacta durante o período da divisão do país.



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