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Bach-Gesellschaft.
Por Leonardo Perin
Uma sociedade fundada no centenário da morte de Bach (1850) para
publicar uma completa edição crítica de sua obra.
Até aquele momento, todas as principais obras para teclado já
tinham sido impressas, mas era óbvio que um esquema não
comercial era necessário para as obras vocais.
A noção de uma Bach-Gesellschaft, data de antes da década
de 1830, e pode ser relacionada com os esforços de Mendelssohn
nos interesses em nome do compositor. Um posterior incentivo veio em
1843 quando a Sociedade Inglesa Handel foi fundada em Londres. Em julho
de 1850 Otto Johan junto com Robert Schumann, C.F. Becker, Mortiz Hauptmann
e da firma de Leipzig Breitkof & Härtel, publicou um anúncio
preliminar que foi enviado para um número de possíveis
apoiadores. No fim do mesmo mês a sociedade havia conquistado
apoio em vários periódicos, de Liszt, Spohr e muitos outros.
A reunião inaugural da sociedade teve lugar em Leipzig no dia
15 de Dezembro de 1850.
Como primeiro projeto musicológico deste escopo, a Edição
Bach encontrou muitos problemas nos anos que se seguiram. A principal
dificuldade era obter uma avaliação ampla do que sobreviveu
da produção do compositor. Um catálogo de suas
obras iniciado em 1830 por Franz Hauser era uma fonte básica
de informação sobre as composições de Bach
e a localização de seus manuscritos autografados e outros
manuscritos relevantes. Volumes individuais ficaram atrasados porque
os proprietários de várias fontes negaram aos editores
o acesso à materiais importantes.
Por exemplo, a edição da Missa em Bm foi adiada muitas
vezes porque Hermann Nägeli não permitiu que ninguém
examinasse a obra autografada que estava sob sua posse. E só
quando Friedrich Chrysander obteve esta fonte que o volume pode ser
completado. Havia também diferenças de opinião
entre os membros do comitê a respeito de como deveriam ser satisfeitas
as necessidades musicais; foi debatido, por exemplo, se as partituras
das obras vocais deveriam ser apresentadas com redução
para piano. Quando a idéia foi rejeitada, Moscheles, que tinha
encampado a causa dos intérpretes, abandonou o comitê.
O primeiro volume da Edição Bach, contendo as cantatas
de 1 à10, foi lançada em Dezembro de 1851; Ela foi editada
por Hauptmann, que no ano seguinte dividiu a responsabilidade de uma
quantidade de volumes com Julius Rietz e Wilhelm Rust. De 1859 Rust
assumiu solitariamente a tarefa, a qual por fim renunciou em 1882 após
desentendimentos com Phillipp Spitta. Os últimos volumes foram
novamente supervisionados por muitos editores diferentes.
A Edição Bach completa iniciou uma significante mudança
nas atitudes contemporâneas perante à música antiga,
e abriu caminho para as edições similares das obras de
Handel, Schütz, Palestrina e Lassus. Embora ela não se enquadrasse
nos padrões contemporâneos da crítica, o profissionalismo
dos editores foi notavelmente escrupuloso e científico para seu
tempo. A edição inteira é livre de acréscimos
editoriais. Rust prefaciou muitos volumes com introduções
discutindo as fontes e a prática performática, e no volume
XLIV os editores forneceram uma completa documentação
dos manuscritos do compositor. Somente algumas poucas obras de Bach
ficaram faltando, enquanto algumas composições, agora
sabida de outros compositores, foram erroneamente incluídas.
Com o término do volume LXVI, apresentado ao comitê em
27 de Janeiro de 1900, a Sociedade Bach foi dissolvida, de acordo com
seu estatuto. No mesmo dia a Neue Bachgesellschaft (NBG) foi fundada
de formar a difundir e pesquisar as obras do compositor, e desde os
primeiros anos do século organizou os festivais Bach. Em seus
primeiros anos, especialmente, foi publicada uma grande quantidade de
música, incluindo coleções de árias e arranjos
visando a necessidade dos intérpretes. Seu periódico,
o Bach-Jahrbuch, foi lançado quase todos os anos desde 1904.
Em 1906 a sociedade adquiriu a casa em Eisenach onde o compositor, como
se pensava, tinha nascido, e abriu um Museu Bach lá. Diferente
de muitas outras organizações musicológicas alemãs,
a NBG sobreviveu intacta durante o período da divisão
do país.
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