Ciência
e cultura na Idade Média
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Durante
muito tempo, a Idade Média foi considerada um período de ignorância
e superstições, tendo sido inclusive chamada de "Idade das Trevas".
Realmente, nesse período, houve um declínio nas atividades artísticas,
literárias e científicas. Mas, seria um exagero classificá-lo como um
período de trevas.
A
destruição de bibliotecas pelos bárbaros, o medo de invasões e saques,
a dificuldade nas comunicações e as constntes lutas entre senhores feudais
contribuíram para criar um ambiente desfavorável ao desenvolvimento
das artes e ciências. Assim mesmo, a Idade Média criou obras expressivas.
Os
mosteiros eram os únicos lugares onde se conservava a cultura antiga.
O trabalho dos monges copistas, que passavam a vida inteira copiando
obras da Antigüidade, preservou essa cultura.
O
homem medieval, de modo geral, não sabia ler nem escrever. Os homens
da igreja eram os mais instruídos, que controlavam todas as atividades
artísticas, literárias e científicas da época.
A
literatura

|
A
maior parte da literatura foi escrita em latim e tratava de
temas religiosos. Por volta do século XII, a literatura começou
a ser escrita na língua própria de cada região e se manifestou
a partir de três gêneros: poesia épica, poesia lírica e romance.
A primeira valorizava a coragem, a honra e a fidelidade dos
cavaleiros medievais. A lírica ou trovadoresca, originária da
região de provença, no sul da França, tinha como tema principal
o amor. O romance tinha como tema central o amor e também a
aventura. A maior fugura literária da Idade Média foi Dante
Alighieri (1265-1321), natural de Florença, Itália. Dante escreveu
em latim e também em italiano. Sua obra mais importante é
A Divina Comédia. |
As
artes
A
arte medieval era também essencialmente religiosa. No campo das artes
destaca-se a arquitetura, com a construção de templos, igrejas, mosteiros
e palácios. Na arquitetura da Idade Média prevalecem dois estilos: o
românico e o gótico.
As
construções em estilo românico (séculos X, XI e XII) caracterizam-se
pelos arcos redondos, paredes baixas e grossas, grandes colunas, janelas
pequenas e interior pouco iluminado.
As
construções em estilo gótico (final do século XII e século XIII) caracterizam-se
pelos arcos em formato ogival (diversos arcos cruzados e colocados sobre
colunas), janelas maiores e mais numeroas, paredes altas e interior
iluminado. As janelas eram ornamentadas com belíssimos vitrais. Estes
eram formados por pequenas placas de vidro colorido, unidas por chumbo,
formando desenhos, como mosaicos.
Na
pintura destacam-se as miniaturas ou iluminuras, feitas para ilustrar
manuscritos e os murais. Os murais eram pinturas feitas nas paredes,
geralmente retratando figuras religiosas.
Na
escultura utilizaram o metal, o marfim, e a pedra. Um grande número
de imagens decorava o interior dos templos.
Arquitetura
Gótica
 |
|
 |
Catedral
de Chartres - França |
|
Catedral
de Colônia - Alemanha |
As
ciências
As
ciências não se desenvolveram muito na sociedade medieval ocidental.
Quase todos os estududiosos e pensadores desta época deixaram de lado
as observações da natureza e a experimentação, preferindo limitar-se
às obras já escritas. Os conhecimentos da Antigüidade continuaram a
ser aceitos como verdades infalíveis.
Na
Idade Média, a maior parte dos estudos foi dedicada à teologia e à filosofia.
A primeira estuda a divindade e a segunda, a compreensão da realidade.
Os clérigos, os únicos estudiosos, não tinham nenhum interesse pelo
conhecimento da natureza.
"Discutir
a natureza e a posição da Terra não nos auxilia em nossa esperança de
vida futura", disse Santo Agostinho.
O
fato de a vida intelectual ter se concentrado nos mosteiros fez com
que o estudo da religião permanecesse mais importante que o estudo das
ciências naturais.
Os
Alquimistas
Em
vários lugares da Europa, os alquimistas trabalhavam incansavelmente,
procuramdo, entre outras coisas, transformar chumbo em ouro e descobrir
o elixir da vida eterna.
Faziam
suas experiências escondidos em torres e subterrâneos, pois eram considerados
bruxos e, como tal, corriam sérios riscos de serem apanhados e levados
a um tribunal da Igreja.
Do
seu paciente trabalho ficou uma herança importante para a ciência: os
alquimistas descobriram muitos elementos químicos e ligas metálicas.
Eles foram os precursores dos químicos modernos.
As
universidades
Junto
às catedrais de algumas cidades começaram a surgir, no século XII, escolas
que se chamaram universidades. Pertenciam a corporações de alunos e
mestres e eram dirigidas por elas, seguindo o exemplo das corporações
de artesãos e mercadores.
Com
as universidades, o ensino e a cultura deixaram de ser privilégio apenas
dos membros da Igreja. Além disso, ampliou-se o campo de estudos com
a fundação de faculdades de Teologia, Direito, Medicina, Filosofia,
Literatura, Ciências e Matemática. Dentre as universidades medievais,
aquelas que se situavam no sul da Europa receberam uma forte influência
das civilizações bizantina e árabe.
Graças
ao desenvolvimento cultural promovido pelas universidades, as obras
da Antigüidade greco-romana começaram a ser estudadas e traduzidas.
Entre elas estão as obras do filósofo grego Aristóteles, que influenciaram
o pensamento religioso do final da Idade Média.
Grandes
inovações técnicas
A
sociedade medieval conheceu importantes inovações técnicas, principalmente
entre os séculos VII e X. Foi nesse períoda que se inventou a charrua
(arado pesado de ferro) e o sistema de rotação de culturas em três campos.
Desenvolveram-se novos métodos de atrelar os animais e a integração
entre a agricultura e a criação de gado, que possibilitava a adubação
das terras com o esterco dos animais. Além disso, difundiu-se o uso
dos moinhos de água (já conhecidos na Antigüidade Oriental, mas até
então não utilizados na Europa) para moagem de grãos como o trigo e
a cevada e para outros fins. Também o moinho de vento foi aperfeiçoado,
de modo que as pás se movessem aproveitando o vento de qualquer direção.
A
partir do século X, desenvolveu-se ainda a extração mineral, devido
à necessidade de pedras para a construção (castelos) e de metais para
a fabricação de armas e instrumentos agrícolas.
Como
resultado desse grande desenvolvimento técnico, houve em toda a Europa,
a partir do século X, um aumento da produção acompanhado de um progressivo
aumento populacional (veja o quadro abaixo).
AUMENTO
POPULACIONAL NA EUROPA
ANO |
PESSOAS |
AUMENTO |
| 1000 |
42
milhões |
|
| 1050 |
46
milhões |
9,5% |
| 1100 |
48
milhões |
4,3% |
| 1150 |
50
milhões |
4,2% |
| 1200 |
61
milhões |
22% |
| 1250 |
69
milhões |
13% |
| 1300 |
73
milhões |
5,8% |