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Hoje é Domingo, 05 de Setembro de 2010.
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Ciência e cultura na Idade Média
Retirado do site: http://marged.vilabol.uol.com.br

Durante muito tempo, a Idade Média foi considerada um período de ignorância e superstições, tendo sido inclusive chamada de "Idade das Trevas". Realmente, nesse período, houve um declínio nas atividades artísticas, literárias e científicas. Mas, seria um exagero classificá-lo como um período de trevas.

A destruição de bibliotecas pelos bárbaros, o medo de invasões e saques, a dificuldade nas comunicações e as constntes lutas entre senhores feudais contribuíram para criar um ambiente desfavorável ao desenvolvimento das artes e ciências. Assim mesmo, a Idade Média criou obras expressivas.

Os mosteiros eram os únicos lugares onde se conservava a cultura antiga. O trabalho dos monges copistas, que passavam a vida inteira copiando obras da Antigüidade, preservou essa cultura.

O homem medieval, de modo geral, não sabia ler nem escrever. Os homens da igreja eram os mais instruídos, que controlavam todas as atividades artísticas, literárias e científicas da época.

 

A literatura

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A maior parte da literatura foi escrita em latim e tratava de temas religiosos. Por volta do século XII, a literatura começou a ser escrita na língua própria de cada região e se manifestou a partir de três gêneros: poesia épica, poesia lírica e romance. A primeira valorizava a coragem, a honra e a fidelidade dos cavaleiros medievais. A lírica ou trovadoresca, originária da região de provença, no sul da França, tinha como tema principal o amor. O romance tinha como tema central o amor e também a aventura. A maior fugura literária da Idade Média foi Dante Alighieri (1265-1321), natural de Florença, Itália. Dante escreveu em latim e também em italiano. Sua obra mais importante é  A Divina Comédia.

 

As artes

A arte medieval era também essencialmente religiosa. No campo das artes destaca-se a arquitetura, com a construção de templos, igrejas, mosteiros e palácios. Na arquitetura da Idade Média prevalecem dois estilos: o românico e o gótico.

As construções em estilo românico (séculos X, XI e XII) caracterizam-se pelos arcos redondos, paredes baixas e grossas, grandes colunas, janelas pequenas e interior pouco iluminado.

As construções em estilo gótico (final do século XII e século XIII) caracterizam-se pelos arcos em formato ogival (diversos arcos cruzados e colocados sobre colunas), janelas maiores e mais numeroas, paredes altas e interior iluminado. As janelas eram ornamentadas com belíssimos vitrais. Estes eram formados por pequenas placas de vidro colorido, unidas por chumbo, formando desenhos, como mosaicos.

Na pintura destacam-se as miniaturas ou iluminuras, feitas para ilustrar manuscritos e os murais. Os murais eram pinturas feitas nas paredes, geralmente retratando figuras religiosas.

Na escultura utilizaram o metal, o marfim, e a pedra. Um grande número de imagens decorava o interior dos templos.

 

Arquitetura Gótica

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Catedral de Chartres - França

Catedral de Colônia - Alemanha

 

As ciências

As ciências não se desenvolveram muito na sociedade medieval ocidental. Quase todos os estududiosos e pensadores desta época deixaram de lado as observações da natureza e a experimentação, preferindo limitar-se às obras já escritas. Os conhecimentos da Antigüidade continuaram a ser aceitos como verdades infalíveis.

Na Idade Média, a maior parte dos estudos foi dedicada à teologia e à filosofia. A primeira estuda a divindade e a segunda, a compreensão da realidade. Os clérigos, os únicos estudiosos, não tinham nenhum interesse pelo conhecimento da natureza.

"Discutir a natureza e a posição da Terra não nos auxilia em nossa esperança de vida futura", disse Santo Agostinho.

O fato de a vida intelectual ter se concentrado nos mosteiros fez com que o estudo da religião permanecesse mais importante que o estudo das ciências naturais.

 

Os Alquimistas

Em vários lugares da Europa, os alquimistas trabalhavam incansavelmente, procuramdo, entre outras coisas, transformar chumbo em ouro e descobrir o elixir da vida eterna.

Faziam suas experiências escondidos em torres e subterrâneos, pois eram considerados bruxos e, como tal, corriam sérios riscos de serem apanhados e levados a um tribunal da Igreja.

Do seu paciente trabalho ficou uma herança importante para a ciência: os alquimistas descobriram muitos elementos químicos e ligas metálicas. Eles foram os precursores dos químicos modernos.

 

As universidades

Junto às catedrais de algumas cidades começaram a surgir, no século XII, escolas que se chamaram universidades. Pertenciam a corporações de alunos e mestres e eram dirigidas por elas, seguindo o exemplo das corporações de artesãos e mercadores.

Com as universidades, o ensino e a cultura deixaram de ser privilégio apenas dos membros da Igreja. Além disso, ampliou-se o campo de estudos com a fundação de faculdades de Teologia, Direito, Medicina, Filosofia, Literatura, Ciências e Matemática. Dentre as universidades medievais, aquelas que se situavam no sul da Europa receberam uma forte influência das civilizações bizantina e árabe.

Graças ao desenvolvimento cultural promovido pelas universidades, as obras da Antigüidade greco-romana começaram a ser estudadas e traduzidas. Entre elas estão as obras do filósofo grego Aristóteles, que influenciaram o pensamento religioso do final da Idade Média.

 

Grandes inovações técnicas

A sociedade medieval conheceu importantes inovações técnicas, principalmente entre os séculos VII e X. Foi nesse períoda que se inventou a charrua (arado pesado de ferro) e o sistema de rotação de culturas em três campos. Desenvolveram-se novos métodos de atrelar os animais e a integração entre a agricultura e a criação de gado, que possibilitava a adubação das terras com o esterco dos animais. Além disso, difundiu-se o uso dos moinhos de água (já conhecidos na Antigüidade Oriental, mas até então não utilizados na Europa) para moagem de grãos como o trigo e a cevada e para outros fins. Também o moinho de vento foi aperfeiçoado, de modo que as pás se movessem aproveitando o vento de qualquer direção.

A partir do século X, desenvolveu-se ainda a extração mineral, devido à necessidade de pedras para a construção (castelos) e de metais para a fabricação de armas e instrumentos agrícolas.

Como resultado desse grande desenvolvimento técnico, houve em toda a Europa, a partir do século X, um aumento da produção acompanhado de um progressivo aumento populacional (veja o quadro abaixo).

 

AUMENTO POPULACIONAL NA EUROPA

ANO

PESSOAS

AUMENTO

1000 42 milhões  
1050 46 milhões 9,5%
1100 48 milhões 4,3%
1150 50 milhões 4,2%
1200 61 milhões 22%
1250 69 milhões 13%
1300 73 milhões 5,8%