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A
Igreja católica era uma das principais instituições
da Idade Média.Sua influência se exercia sobre todos os setores
da sociedade, estava presente em cada costume e em cada ato da vida dos
cristãos. Regulamentava as relações entre as pessoas
(casamentos, doações de feudos...), definia o que devia
ser feito em cada hora: tempo de orações, de jejum, de guerra
e de paz. A mentalidade do homen era totalmente dominada pela religião.
Aqueles que se afastassem de suas normas sofreriam punições:
penitências, exigência de peregrinações e excomunhão.
Com o surgimento de novas religiões e o enfraquecimento da Igreja,
foi criada a Inquisição, um tribunal religioso que julgava
e condenava os acusados de heresias, aqueles que não seguiam os
preceitos cristãos (leia mais em A Inquisição, nesta
homepage). Sendo tão rica e temida a Igreja detinha também
grande poder político: os papas interferiam na política
dos reis e imperadores, muitas vezes criando conflitos entre uns e outros.
Origem
do Cristianismo
No
início do Império Romano, o Cristianismo surgiu na Palestina
que era uma província romana habitada pelos judeus. Antes mesmo
dessa época os judeus já tinham sido oprimidos por outros
povos durante cerca de 600 anos. Os judeus aguardavam um salvador que
seria enviado pelo seu Deus para libertá-los da dominação
de povos estrangeiros. Isso estava escrito na Bíblia, em numerosas
profecias. Para muitos, Jesus era o Messias, o qual, segundo a crença
judaica, seria o filho de Deus.
Embora
não existam documentos escritos, sabe-se que os apóstolos
Pedro e Paulo chegaram até Roma, onde organizaram comunidades.
Em 67, durante a primeira perseguição aos cristãos,
movida por Nero, eles foram torturados e mortos. Jesus escolhera Pedro
como chefe de sua igreja. Como Pedro, considerado o primeiro papa, morreu
em Roma, essa cidade tornou-se a capital do cristianismo.
Durante
o primeiro século, o cristianismo começou a se tornar popular.
Os romanos, que eram politeístas, admitiam a prática de
outras religiões, mas não o cristianismo. Isso se explica
pelo fato de os cristãos serem monoteístas, negando os deuses
romanos e admitindo um único Deus. Os primeiros cristãos
eram acusados de traírem Roma e de serem "inimigos do gênero
humano". Seus inimigos contavam que os cristãos matavam crianças
durante o culto e depois bebiam seu sangue. A origem desse boato era o
fato de os cristãos tomarem a comunhão (pão e vinho),
a qual, para eles, representava o corpo e o sangue de Cristo. Devido às
perseguições, os cristãos construíram catacumbas,
que eram galerias subterrâneas onde eles se reuniam para fazer suas
pregações e enterravam seus mortos.
Apesar
das perseguições, o número de cristãos foi
crescendo. O cristianismo espalhou-se rapidamente entre os pobres da cidade.
Mas logo também muitos ricos e nobres começaram a aderir
à nova religião. Em 313, com o Edito de Milão, o
imperador Constantino concedeu aos cristãos liberdade para praticarem
sua religião. Em 391, o imperador Teodósio proibiu os cultos
pagãos e mandou fechar seus templos. O Cristianismo tornou-se assim
a religião oficial do Império Romano.
Organização
da Igreja
A
direção da Igreja católica pertencia ao papa e aos
bispos. Cada bispo administrava um território denominado diocese.
Os bispos eram auxiliados nessa tarefa pelos cônegos.
As
dioceses eram formadas por várias paróquias, e cada uma
delas tinha um padre (chamado pároco) para administrá-la.
A
Igreja, portanto, estava organizada como um verdadeiro Estado, mais poderoso
até que os reinos medievais. Até hoje a Igreja é
organizada praticamente da mesma forma.
O
poder da Igreja na Idade Média
A
Igreja foi a instituição mais poderosa da sociedade medieval
do Ocidente. As magníficas catedrais construídasna Europa
nos séculos XII e XIII são sinais impressionantes desse
poder.
Naquela
época não existiam usinas, fábricas, bancos nem máquinas.
O importante era a terra. A riqueza era medida pela quantidade de terra
que alguém possuía. A Igreja chegou a ser proprietária
de dois terços das terras de toda a Europa. Era uma instituição
poderosíssima, a "grande senhora feudal". Alguns mosteiros
medievais eram verdadeiros feudos, enormes e com numerosos servos.
Todos
os bispos eram proprietários de terras. Aliás, ser bispo
era um grande negócio na Idade Média. Veja o que diz um
bispo do século IX:
"Para
ordenar um padre, cobrarei em ouro; para ordenar um diácono, cobrarei
um monte de prata (...). Para chegar a bispo, paguei bom ouro, mas agora
hei de rechear a bolsa".
Essa
mentalidade demonstra como os membros da Igreja na Idade Média
se deixaram seduzir pelos bens materiais. Arcebispos, bispos e abades
eram os equivalentes aos duques, barões e condes e em geral viviam
no luxo.
Em
busca de renovação espiritual
Nem
todos os cristãos aceitavam que bispos e padres vivessem no luxo.
Inspirados nos exemplos e nos ensinamentos de Jesus Cristo, alguns fiéis,
ao longo da Idade Média, retiraram-se para lugares isolados, a
fim de levar uma vida autenticamente cristã, longe dos prazeres
em que viviam muitos cristãos. Surgiram assim, as ordens monásticas,
fundadas por homens que dedicavam a vida à oração,
ao estudo e muitas vezes ao trabalho manual.
Em
525, São Bento fundou na Itália o Mosteiro de Monte Cassino
e criou a Ordem Beneditina. De acordo com as normas estabelecidas por
São Bento, os monges deveriam viver na pobreza, estudar, trabalhar
e obedecer ao abade, chefe do mosteiro.
Esse
movimento de renovação espiritual da Igreja prosseguiu nos
séculos seguintes. Várias ordens religiosas foram fundadas
com o objetivo de eliminar a corrupção, os interesses materiais
e o acúmulo de riquezas de toda a Igreja. Essas ordens queriam
abolir o controle dos senhores feudais sobre o clero. Combatiam, principalmente,
práticas pouco cristãs como a compra e venda de cargos da
Igreja.
No
século XIII, apareceram os frades. Originalmente não eram
membros do clero, mas leigos. Ao invés de se trancarem em mosteiros,
preferiam o trabalho beneficente, a pregação e o ensino.
Uma figura muito importante foi São Francisco de Assis (1182-1226),
fundador da primeira ordem de frades - a ordem franciscana. Outra ordem
religiosa importante fio a ordem dominicana, fundada por São Domingos,
um nobre espanhol.
O
papel dos monges na Idade Média, foi muito importante em vários
aspectos. No aspecto religioso, eles contribuíram para converter
os povos germânicos ao cristianismo. No aspecto econômico,
contribuíram para melhorar os métodos de produção
agrícola. No aspecto cultural, foram os responsáveis pela
conservação do conhecimento antigo. Os mosteiros possuíam
bibliotecas, onde podiam ser encontrados muitos textos da Antigüidade.
Haviam também os monges copistas, que copiavam textos clássicos
romanos e gregos.
As
abadias
Na
Idade Média foram fundadas algumas grandes abadias, que se tornaram
muito famosas. Algumas existem até hoje, como a de Melk, na Áustria.
A
abadia é o nome que se dá à residência de monges
ou monjas governados por um abade ou abadessa.
As
abadias medievais assemelham-se a pequenas cidades. Tinham geralmente
diversas igrejas, grandes bibliotecas, muitos quartos para seus moradores,
oficinas para a produção e conserto de ferramentas e carroças,
estrebarias e cocheiras, cozinhas, etc.
Localizavam-se
sempre no centro de uma grande propriedade. Nela eram cultivados trigo,
cevada, centeio, videiras, frutas, etc. Eram também criados porcos,
galinhas, perus, patos, bois, vacas, cavalos, etc.
Os
próprios monges trabalhavam no cultivo e na criação.
Alguns, porém, passavam o tempo na biblioteca, copiando em livros
novos as obras dos grandes escritores antigos, sobretudo gregos e romanos.
Eram os monges copistas. Outros produziam verdadeiras obras de arte, utilizando
um tipo de letra bastante enfeitada, chamada letra gótica. Nas
margens das páginas, desenhavam enfeites diversos, chamados iluminuras.
Graças aos monges copistas, grande parte das obras antigas foi
preservada até hoje.
Nas
abadias, além do trabalho, boa parte do tempo era dedicada à
oração e ao canto sacro.
As
abadias contavam em geral com um grande número de servos, que executavam
os trabalhos mais pesados. Funcionavam como grandes propriedades feudais.
Havia
abadias imensas, como a de Cluny, na França. Havia outras menores,
espalhadas sobretudo pela Bélgica, França, Itália,
Espanha, Áustria e Alemanha.
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