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Texto
de Lady Marged, com base em diversas fontes bibliográficas
Na
Antigüidade, a sociedade era matriforcal, ou seja, o nome e os bens
de família eram passados de mãe para filha. A mulher era
quase uma figura divina, admirada; pois seu ventre era capaz de gerar
a vida, e isso era algo espetacular para os homens primitivos. Porém,
com o passar do tempo, a figura do homem começou a se relevar,
até o
momento em que se proclama ser superior em relação à
mulher.
Isto
torna-se bastante evidente no período denominado Idade Média,
também conhecido por "Idade das Trevas". Essa época
foi marcada pela consolidação e expansão da fé
cristã pelo Império Romano, dando à Igreja Católica
um poder extremamente grande que controlava a vida e a mentalidade das
pessoas, principalmente os simples camponeses, grandes massas de pessoas
que tinham uma "fé cega", que viviam temendo o inferno
e o diabo.
A
vida das mulheres medievais não era fácil. De acordo com
a classe social a que pertenciam suas funções variavam.
Nas classes mais altas, as mulheres tomavam conhecimento em política,
economia e até em disputas territoriais. As mulheres dos senhores
feudais eram responsáveis pela organização do castelo;
supervisionavam tudo, desde a cozinha até a confecção
de vestimentas. Elas tinham que saber como preservar a carne e alimentos
e também coordenavam todos os empregados. Além disso, tinham
que estar preparadas para defender o castelo na ausência de seu
marido. As camponesas trabalhavam junto com seus maridos nas terras do
senhor feudal e, além disso, ainda tinham que cuidar dos afazeres
domésticos.
As
mulheres não tinham muitas opções: ou se casavam,
ou iam para os conventos. Entretanto, o convento não era para qualquer
uma, e sim, para uma minoria da alta classe que tinha que pagar uma taxa
bastante cara para se tornar uma freira. A maioria porém, estava
destinada ao casamento e a uma vida submissa ao marido. As meninas eram
educadas somente para este fim: serem boas esposas.
O
casamento era arranjado pelo pai quando sua filha ainda era criança.
A mulher era como uma propriedade, usada para obter vantagens. Os casamentos
geralmente visavam o aumento de terras. Nas classes sociais mais altas,
as meninas eram casadas com a idade de oito anos. A mulher era objeto
de seu marido, devendo a este obediência e fidelidade. Dirigia-se
a ele com formas de tratamento respeitosas como "meu amo e senhor".
Era permitida a agressão física a mulheres quando o marido
achasse que ela o havia desobedecido e as histórias de mulheres
que sofriam agressões eram contadas nas vilas em tom humorístico.
As agresões não podiam causar a morte nem incomodar os vizinhos,
entretanto, em caso de adultério flagrante, o marido tinha o direito
até mesmo de matar a própria esposa. A lei não poderia
intervir em nada.
Todas
as mulheres deveriam aprender sobre a cura e medicina familiar. Mas não
deveriam se aprofundar ou aprender muito sobre a cura, pois seriam consideradas
bruxas; uma verdadeira contradição.
Como
se tudo isso não fosse o suficiente, durante a era das fogueiras,
o Tribunal do Santo Ofício condenou milhares de pessoas à
morte, a maioria mulheres inocentes. Estas eram acusadas de bruxaria,
muitas vezes, por inveja de outros ou por serem mulheres solteiras e solitárias.
O livro Malleus Maleficarum de 1486, escrito por inquisidores alemães,
dizia que as bruxas armavam uma conspiração para dominar
o mundo. A obra também explicava como localizar a presença
de bruxas e identificar feitiços. Como as mulheres tinham que saber
um pouco sobre a cura, muitas delas, além de parteiras e cozinheiras,
também foram acusadas de bruxaria e condenadas à fogueira.
Para
provar a propensão natural da mulher à maldade não
faltavam argumentos aos autores do Malleus. A começar por uma falha
na formação da primeira mulher, por ser ela criada a partir
de uma costela recurva, ou seja, uma costela no peito, cuja curvatura
é, por assim dizer contrária à retidão do
homem. A própria etimologia da palavra feminina confirmava essa
fraqueza original: segundo eles, femina, em latim, reunia em sua formação
as palavras fide e minus, o que quer dizer menos fé.Defender idéias
assim não era exclusividade dos dois inquisidores alemães.
A aversão à mulher como ser mais fraco e, portanto, mais
propenso a sucumbir à tentação diabólica era
moeda corrente em todas as regiões da Europa - dos pequenos vilarejos
camponeses aos grandes centros urbanos. Nos sermões de padres por
toda a Europa, proliferava a concepção de que a bruxaria
estava ligada à cobiça carnal insaciável do "sexo
frágil", que não conhece limites para satisfazer seus
prazeres. Com seu "furor uterino", para o homem a mulher era
uma armadilha fatal, que podia levá-lo à destruição,
impedindo-o de seguir sua vida tranqüilamente e de estar em paz com
sua espiritualidade.
A
mulher, apesar de trabalhar tanto quanto o homem estava sempre em grau
de inferioridade. A identidade do pecado original, principalmente na história
do cristianismo, foi um fardo pesado para a mulher até o século
XVIII. Desde os primeiros cristãos, a busca da austeridade religiosa
tornou-se não só uma regra para o aprimoramento espiritual,
mas também consagrou o papel da mulher como a principal tentação
mundana, capaz de afastar o homem do caminho da purificação.
Uma norma que na Europa, a partir do século VI, quando São
Bento de Nursia fundou o mosteiro de Monte Cassino na Itália, deu
início ao movimento monástico beneditino que marcaria profundamente
a atitude religiosa do continente.
Abaixo,
alguns pensamentos e frases que dizem respeito às mulheres, a partir
da visão masculina:
"Toda
malícia é leve, comparada com a malícia de uma mulher."
(Eclesiástico 25:26)
"Tu
deverias usar sempre o luto, estar coberta de andrajos e mergulhada na
penitência, a fim de compensar a culpa de ter trazido a perdição
ao gênero humano... Mulher, tu és a porta do Diabo."
(Quinto Tertuliano, escritor cristão, século III)
"Dentre
as incontáveis armadilhas que o nosso inimigo ardiloso armou através
de todas as colinas e planícies do mundo, a pior é aquela
que quase ninguém pode evitar: é a mulher, funesta cepa
de desgraça, muda de todos os vícios, que engendrou no mundo
inteiro os mais numerosos escândalos." (Marborde, monge de
Angers, século Xl)
"Toda
mulher se regozija de pensar no pecado e de vivê-lo."(Bernard
de Morlas, monge da Abadia de Cluny, século XII)
"A
mulher é um verdadeiro diabo, uma inimiga da paz uma fonte de impaciência,
uma ocasião de disputa das quais o homem deve manter-se afastado
se quer gozar a tranqüilidade." (Francisco Petrarca, poeta italiano,
século XIV)
"Que
se leiam os livros de todos aqueles que escreveram sobre feiticeiros e
encontrar-se-ão cinqüenta mulheres feiticeiras, ou então
demoníacas, para um homem." (Jean Bodin, jurista, sociólogo
e historiador, século XVI)
"Pois
a Natureza pretende fazer sempre sua obra perfeita e acabada: mas se a
matéria não é própria para isso, ela faz o
mais próximo do perfeito que pode. Então, se a matéria
para isso não é bastante própria e conveniente para
formar o filho, faz com ela uma fêmea, que é um macho mutilado
e imperfeito." (Laurent Joubert, conselheiro e médico inglês,
século XVII)
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