Então, por que é necessário saber como funciona a crítica de arte? Por que é preciso saber julgar seu próprio trabalho? Não seria interessante conhecer como os proprietários de galerias, juízes de competição, críticos sérios de arte e connoisseurs de arte analisam quando vêem uma obra?
Certamente, não é mesmo?
Entender de crítica de arte irá lhe permitir que observe sua pintura com outros olhos, e ver o que um possível interessado (e entendido de arte) em comprar sua obra irá buscar.
No início pode parecer um pouco complicado, mas não é impossível! Veja algumas dicas sobre crítica de arte e pense nelas na próxima vez que você estiver trabalhando em seu cavalete.
Centro do Ponto Focal:
Um centro focal bem realizado irá definir se o que você está fazendo é uma pintura qualquer ou uma obra de arte. Ele dá ao observador um sentido de direção, fluindo através da obra, além de definir a prioridade sobre o que é mais importante no trabalho. Todos os elementos são importantes, mas considere fortemente o centro do ponto focal.
Sentimento – Caráter:
Há um sentimento, um sentido de caráter na obra? Pergunte-se a si mesmo se a obra transmite alegria, felicidade, tristeza, raiva, desgosto etc. ou se é apenas uma pintura de uma maçã. Se sua obra pode despertar fortes emoções no expectador então o que você fez é uma obra de arte.
Criatividade:
Este é um quesito que você pode deixar pensar quanto estiver planejando sua Obra. Mas pergunte-se: O que eu posso fazer de diferente, fora do modo normal de se ver as coisas, fora do comum, de forma a mostrar algo melhor no quadro?
Composição – Harmonia:
Há muito a ser dito sobre isso, mas, honestamente, existem muitas obras publicadas e também online sobre esse assunto. Contudo, porque a composição é importante? Erre nela e não vai importar que você saiba fazer uma rosa muito bonita, ela não irá cativar ninguém!
Eis algumas coisas a se perguntar sobre isso:
1 - Formas interessantes são usadas?
2 - Há variedade nos tamanhos dessas formas?
3 - Existe um plano esquemático? Formas Dominantes, ênfase em algumas formas?
4 - Existem formas geométricas? Elas se complementam ou criam tensão na composição?
5 - Os elementos chamam muita atenção, ou acrescentam valor ao sujeito?
6 - Há equilíbrio?
7 - Existem elementos principais, secundários, elementos repetidos?
8 - Há diversidade na unidade?
Valor tonal:
Você tem uma gama de valores tonais completa, da luz mais clara a sombra mais escura? A obra está limitada na gama tonal? Nas partes mais claras, trazendo um caráter iluminado e nas mais escuras um caráter triste ou sombrio?
Cor:
A cor foi usada para transmitir o caráter, profundidade e harmonia na Obra? Foi usada para ajudar no centro do ponto focal? Há cores fundamentais usadas? Complementares, análogas, locais?
Perspectiva e outros elementos:
Perspectiva é utilizada? Está correta? Todas as regras da perspectiva estão mesmo corretas? Há contornos suaves ou sólidos sendo usados? Estes contornos estão ajudando a colocar os elementos na profundidade certa?
Unidade:
O estilo, padrão, paleta e as técnicas estão sendo usadas para criar unidade?
Habilidade:
As habilidades técnicas usadas estão bem evidentes?
Então você olhou sua pintura e verificou os primeiros elementos antes de mandar suas telas para uma galeria. Todavia, vamos agora dar uma olhada em coisas que talvez você não irá poder corrigir agora, mas que poderão ser consideradas para outras obras de arte.
Antes de tudo, após ver todas essas dicas, procure um artista plástico que você conheça, e mais, que você confie, e peça que dê opiniões de sua obra baseadas nestes quesitos abaixo, mas não necessariamente tome essas opiniões como verdades absolutas, creia no seu feeling também.
Desenho mal feito?
Há alguma coisa na sua pintura que não está fazendo sentido? Que não está se adequando à lógica ou a normalidade? Uma boca com dentes demais, por exemplo, ou uma linha do horizonte fora da posição?
Falta de originalidade ou de imaginação?
O sujeito é bobo ou banal? Não atrai atenção para ele?
Elementos discrepantes?
Há coisas fora de seu lugar convencional? Algo como um urso polar na selva?
Discrepâncias no estilo e na qualidade?
Você começou um trabalho realístico e recorreu a elementos abstratos ou impressionistas que parecem estar fora do lugar? Montanhas muito detalhadas, e um cervo no primeiro plano que está precisando ser mais bem trabalhado?
Caráter, sentimentos ou mensagens estão sendo transmitidas?
É uma pintura morta, ou há vida dentro dela?
Plágio?
A obra foi copiada de outro quadro, fotografia ou é original?
Apresentação pobre:
Marcas de pincelada, cerdas de pincel, arranhões, moldura danificada, marcas de dedo, verniz mal aplicado etc. Preocupe-se com uma obra bem acabada!
Faça registros do seu trabalho:
Mantenha um diário de arte. Use-o como seu próprio guia! É uma ótima forma para manter-se consciente de seu progresso. Depois que tiver refletido sobre todas essas questões, tire uma foto de sua obra e cole em seu diário. Tudo o que parecer ruim, anote, no entanto, anote também o que estiver bom.
Desta forma, você verá claramente o progresso de seu trabalho conforme os anos forem passando e assim você também terá noção de onde errou e o que fazer para evitá-los no futuro.
Ninguém precisa ver suas críticas pessoais. É como um diário do artista, apenas para você!!
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