Pintando os Céus

Se você pinta paisagens, já sabe que o céu exerce um papel fundamental na composição. A última coisa que você irá querer é que sua pintura tenha um céu sem graça. Então confira aqui nossas dicas.

 

Por Leonardo Perin

 

Se você pinta paisagens, já sabe que o céu exerce um papel fundamental na composição. De forma a criar uma divisão agradável do espaço, eu recomendaria não colocar a linha do horizonte no meio da sua pintura. Isto significa que, se escolher um horizonte baixo, o céu poderia ocupar mais de 2/3 da superfície pintada e, se você optar por uma linha do horizonte alta, o céu ocuparia menos de 1/3 da superfície. Mas a última coisa que se vai querer é um céu sem graça.

 

O céu é mais que um pano de fundo de um palco, porque ele condiciona a qualidade da luz e portanto o brilho e os tons de todas as cores. Um céu azul reflete-se em todos os objetos na paisagem. Do mesmo modo, um céu de tempestade irá derramar uma luz cinza na terra e gerar cores muito características. Se você trabalhar com fotografias e estiver trabalhando com uma foto de um dia ensolarado, não poderá mudar a cor do céu para cinza e esperar que ele pareça um dia ensolarado. A paleta inteira é afetada pela qualidade da luz e qualquer justaposição artificial não resultará bem.

Não há nada como um céu azul. O que eu quero dizer é que você encontrará muitos tipos de azuis no céu, muitas nuances e variações; e é isso que faz do céu algo tão interessante de se pintar. Um modo excelente para analisar e comparar a cor do céu em diferentes áreas é pegar um papel cartão tamanho A4, cortar duas pequenas janelas quadradas de cerca de 3cm. Uma perto da borda superior e outra perto da inferior. Então, segure o cartão contra o céu que você está observando e compare as duas amostras de céu em cada uma das janelas do cartão. Como você isolou estas duas áreas, você verá a diferença das cores, que não serão homogeneizadas pelo cérebro, como acontece olhando sem o cartão.

Imagine que o céu é como um teto muito alto que vai descendo conforme ele se afasta e se funde no horizonte. A cor do céu decai e sua intensidade diminui conforme ele distancia através do horizonte.

Vamos falar agora sobre as nuvens. Elas são o elemento mais interessante na composição, justamente pela diversidade, volume e movimento que elas realizam no céu. Além de possuir também uma qualidade abstrata que mexe com nossa imaginação. Lembra-se quando era criança e olhava para as nuvens e via uma porção de figuras, animais, objetos nelas?

Nuvens apresenta-se em várias formas. Cuidado que diferentes tipos de nuvens são encontradas em diferentes altitudes:

Nuvens de alta-altitude (Cirrus, Cirrostratus, Cirrocumulus):

- Cirrus: aparência de novelos muito finos de cabelo branco («cirrus» em latim significa exactamente «cachos de cabelo»). Têm um aspecto delicado, sedoso ou fibroso, de cor branca brilhante. As cirrus estão associadas a tempo agradável e a sua direcção indica a direcção do movimento do ar a grande altitude.

 

- Cirrostratus: São nuvens com a aparência de um véu muito fino, esbranquiçado e transparente, de algumas centenas de metros de espessura, que pode chegar a cobrir o céu todo.

 

- Cirrocumulus: São delgadas, compostas de elementos muito pequenos em forma de grânulos e rugas. Os cirrocumulus são cirrus com algum desenvolvimento vertical. São nuvens muito finas, com uma textura regular (com um efeito ondulado com a aparência de escamas de peixe) formada por elementos pequenos (de largura aparente menor de 1º) com a forma de pontos, retalhos ou camadas.

 

Nuvens de média-altitude são geralmente Altostratos e altocumulus.

- Altostratus: São camadas cinzentas ou azuladas, muitas vezes associadas a Altocumulus; compostas de gotículas superesfriadas e cristais de gelo; não formam halo, encobrem o sol; precipitação leve e contínua. Formam camadas cinzentas ou azuladas e monótonas, como um véu ou lençol fibroso estendido sobre uma área imensa, muitas vezes obscurecendo o Sol ou a Lua. Em algumas partes podem ser tão finas que o Sol se vê como através de um vidro fosco. Mas não se observam halos (como nos cirrostratus).

 

- Altocumulus: São lençóis ou camadas de nuvens brancas ou cinzentas, tendo geralmente sombras próprias. Constituem o chamado "céu encarneirado".

 

Nuvens de baixa-altitude são Stratocumulus, stratus, Nimbostratus.

- Stratus: São nuvens muito baixas (0 a 1000m) de aspecto estratificado que cobrem largas faixas horizontais do céu, como um tapete com uma cor cinzenta mais ou menos uniforme. Por vezes estão na superfície como um nevoeiro. Quando se apresentam fracionadas são chamadas fractostratus (FS). Formam uma camada inteiramente cinzenta com uma base bastante uniforme da qual pode cair uma chuva miudinha ou grãos de neve (por vezes, cai precipitação mais forte que se deve à existência de outras nuvens por cima da camada de stratus.) Formam-se em massas de ar estável, quando a umidade é baixa e a temperatura é relativamente alta. Parece um nevoeiro que não chega ao solo e, de facto, surge por vezes quando o nevoeiro «levanta». Se o Sol é visível, o seu contorno está bem definido, podendo observar-se um halo em sua volta (ver cirrostratus) se as temperaturas forem suficientemente baixas.

 

- Stratocumulus: São nuvens baixas com massas arredondadas e cilíndricas com o topo e a base relativamente planos (entremeadas de partes em que o céu é visível). Podem ser brancas ou acinzentadas, dependendo do tamanho das gotículas de água e da quantidade de luz solar que as atravessa. Quando em vôo, há turbulência dentro da nuvem.São formadas por mosaicos de bandas paralelas ou massas redondas, geralmente com mais de 5º de largura aparente. Os Stratocumulus correspondem a uma situação estável fora da nuvem (característica dos stratus) e instável dentro da mesma (característica dos cumulus). Formam-se por vezes à tardinha a partir de cumulus, quando o movimento convectivo pára.

 

- Nimbostratus: São nuvens com aspecto amorfo, base difusa e baixa, muito espessa, escura ou cinzenta; produz precipitação intermitente e mais ou menos intensa. São nuvens densas com a forma de camadas cinzentas, normalmente escuras e ocultando totalmente o Sol, acompanhadas de precipitação (nimbus em latim significa «chuva»). A evaporação da água da chuva torna normalmente a visibilidade baixa, podendo-se formar uma camada inferior de nuvens ou de nevoeiro por debaixo dos nimbostratus, se o ar ficar saturado.

 

Nuvens de muito-baixa-altitude são Cumulus.

- Cumulus: São nuvens densas que se formam em ar instável e sobretudo na baixa troposfera e que surgem em blocos ou glóbulos isolados ou agrupados. Quando crescem verticalmente em pilha («cumulus», em latim) até grandes altitudes assinalam trovoadas e tempestades.

 

Os cumulus humilis (cumulus de bom tempo) parecem bocados densos de algodão a flutuar e têm uma base plana (mais escura) e contornos bem definidos que se vão tornando menos definidos à medida que envelhecem e ficam mais erodidas. As partes iluminadas pelo Sol têm uma cor branca brilhante.Normalmente não duram mais do que de uns 5 a 40 minutos.

 

Podem crescer verticalmente ao longo de um dia transformando-se em grandes nuvens isoladas formando montes, cúpulas ou torres com o topo com o aspecto de uma couve-flor. Passam então a ser chamados de cumulus congestus e estão normalmente associados a cargas de água. Se um cumulus congestus continuar a crescer verticalmente, transforma-se num cumulonimbus, a «nuvem dos temporais».

 

E as Cumulonimbus são nuvens que se desenvolvem verticalmente.

Os cumulonimbus são nuvens convectivas de trovoada que se desenvolvem verticalmente até grandes altitudes, com a forma de montanhas, torres ou de gigantescas couve-flores. Uma trovoada é basicamente uma nuvem cumulonimbus capaz de produzir ventos fortes e tempestuosos, raios, trovões e mesmo, por vezes, violentos tornados.

 

Como pintores, estamos interessados em diferentes texturas e nuvens podem ser transparentes como as Cirrus ou opacas e cremosas como as Cumulus.

Aqui estão alguns pontos importantes a se levar em conta na hora de pintar nuvens:

  • Nuvens não são chapadas no fundo da tela, elas são objetos tridimensionais sujeitas a todas as regras da perspectiva. Pense nelas como objetos arredondados iluminadas pelo sol.
  • Conforme se afastam através do horizonte, elas parecerão menores.
  • Trabalhe suas nuvens com uma riqueza de formas, mas sempre mantendo as características da família a qual elas pertencem.
  • Preste atenção na posição do Sol e tenha certeza que a luz e a sombra estão coerentes com todas as suas nuvens.
  • Nuvens não são brancas! Refletem sempre a cor do céu. Deixe o branco sempre para os brilhos.
  • Nuvens possuem sombras. A diferença, às vezes, é sutil, mas você irá sempre encontrar algum tipo de área de sombras com tons levemente escuros. Recomenda-se uma mistura de ultramarina com um pouco de amarelo ocre e Alizarina ou Carmim para criar as sombras das nuvens.
  • Por padrão, faça as bordas das nuvens de forma muito suave e esfumaçada. Mesmo que esteja vendo um contorno muito definido de uma Cumulus, as chances de que alguma mistura aconteça na borda da núvem, devido a natureza plasmática dela, são grandes.

A melhor forma de se compreender a variedade dos céus e núvens é sair e fazer algumas pinturas ao ar livre. Durante dias com vento, núvens se movem rapidamente e enquanto você não tiver experiência, eu recomendaria que levasse consigo fotografias de referência para não ter problemas. Quando você pinta diretamente da natureza, desenhe rapidamente a forma das nuvens, marque suas posições e defina suas áreas de sombra. Depois pode-se fazer alguns ajustes e melhorá-las na hora em que for pintar o céu.

 

 

 


Contacte-nos

Email : JLIB_HTML_CLOAKING